Eu tinha acabado de arrumar um emprego em que eu passaria a
ganhar mais como operadora de telemarketing ou agente de atendimento SAC/ATIVO
como desejar chamar.
Não é um emprego muito bom onde se ganha muito, mas,
naquele momento era o melhor que eu
tinha encontrado até então. Trabalhava em sistema 6/1 em 6 horas diárias em
atendimento ativo terceirizado para uma empresa de rastreadores. Não era
difícil eu tinha que apenas agendar a instalação dos rastreadores, e o
atendimento era para todo o Brasil.
Nunca tive problema com esse tipo de trabalho, o que
importava era o salário no final do mês e os meus benefícios. Meu sonho era eu
poder fazer uma faculdade no curso de Letras e me tornar uma Professora de Inglês.
E agora com esse salário e um emprego de 6horas, o sonho estaria mais próximo de
se realizar.
De início, tive que fazer um treinamento para entender o
serviço de atendimento e seu funcionamento. E depois de 2 semanas já estava em
atendimento direto com o cliente. Era divertido, atender o Brasil todo, pessoas
de vários estados com sotaques e culturas diferentes.
- Bom
dia!
- Bom
dia.
- Gostaria
de falar com o Sr. Antônio (nome fictício) é possível?
- Quem
gostaria?
- Me
chamo Andréia e sou da Empresa (...), responsável pelo agendamento do
rastreador do carro do Sr. Antônio.
- Bah!
peraí.
- Fala
guria. (Sr. Antônio)
- Bom
dia Sr. Antônio tudo bem com o senhor? Estou entrando em contato com o Sr. Para
que possamos agendar, a sua instalação do rastreador em seu carro. Qual dia da
semana poderia ser?
- Bah!
Guria não tenho tempo, não. Posso falar com você depois?
- Qual
melhor dia para eu retornar à ligação?
- Na
sexta a tarde. Tudo oka?
- Sim,
claro retorno então na sexta a tarde.
- Oka
- A
Empresa agradece, uma Boa Tarde!
Assim seguia os meus dias de experiência, com vários
atendimentos, e as vezes batiam 60 ligações diárias ou mais. Eu saía de casa
pegava um Trem e Metrô; gastava em média uma hora e vinte minutos para chegar
ao trabalho. Morava num bairro da periferia da Capital Paulista na zona oeste
de São Paulo e trabalhava no Centro da Capital no bairro do Anhangabaú; muito
conhecido por eventos culturais e pelo Theatro Municipal. O ambiente de
trabalho era amigável, e os supervisores, gestores trabalhavam em equipe.
“Nada é perfeito e nada é para sempre”- Eu ouvia essa frase,
mas, até então, não entendia. Tudo parecia perfeito: - eu estava num bom
emprego e meus sonhos estavam mais perto para serem reais, só me faltava eu
passar da experiência e ser efetivada. E eu não tinha medo de não ser
efetivada, porque os gestores e supervisores gostavam do meu trabalho e me achavam
amigável e proativa. Tudo estava perfeito! O que poderia dar errado?