domingo, 31 de maio de 2015

Prólogo


     Eu tinha acabado de arrumar um emprego em que eu passaria a ganhar mais como operadora de telemarketing ou agente de atendimento SAC/ATIVO como desejar chamar.
    Não é um emprego muito bom onde se ganha muito, mas, naquele momento era o melhor    que eu tinha encontrado até então. Trabalhava em sistema 6/1 em 6 horas diárias em atendimento ativo terceirizado para uma empresa de rastreadores. Não era difícil eu tinha que apenas agendar a instalação dos rastreadores, e o atendimento era para todo o Brasil.
   Nunca tive problema com esse tipo de trabalho, o que importava era o salário no final do mês e os meus benefícios. Meu sonho era eu poder fazer uma faculdade no curso de Letras e me tornar uma Professora de Inglês. E agora com esse salário e um emprego de 6horas, o sonho estaria mais próximo de se realizar.
  De início, tive que fazer um treinamento para entender o serviço de atendimento e seu funcionamento. E depois de 2 semanas já estava em atendimento direto com o cliente. Era divertido, atender o Brasil todo, pessoas de vários estados com sotaques e culturas diferentes.
- Bom dia!
- Bom dia.
- Gostaria de falar com o Sr. Antônio (nome fictício) é possível?
- Quem gostaria?
- Me chamo Andréia e sou da Empresa (...), responsável pelo agendamento do rastreador do carro do Sr. Antônio.
- Bah! peraí.
- Fala guria. (Sr. Antônio)
- Bom dia Sr. Antônio tudo bem com o senhor? Estou entrando em contato com o Sr. Para que possamos agendar, a sua instalação do rastreador em seu carro. Qual dia da semana poderia ser?
- Bah! Guria não tenho tempo, não. Posso falar com você depois?
- Qual melhor dia para eu retornar à ligação?
- Na sexta a tarde. Tudo oka?
- Sim, claro retorno então na sexta a tarde.
- Oka
- A Empresa agradece, uma Boa Tarde! 
    Assim seguia os meus dias de experiência, com vários atendimentos, e as vezes batiam 60 ligações diárias ou mais. Eu saía de casa pegava um Trem e Metrô; gastava em média uma hora e vinte minutos para chegar ao trabalho. Morava num bairro da periferia da Capital Paulista na zona oeste de São Paulo e trabalhava no Centro da Capital no bairro do Anhangabaú; muito conhecido por eventos culturais e pelo Theatro Municipal. O ambiente de trabalho era amigável, e os supervisores, gestores trabalhavam em equipe.
  “Nada é perfeito e nada é para sempre”- Eu ouvia essa frase, mas, até então, não entendia. Tudo parecia perfeito: - eu estava num bom emprego e meus sonhos estavam mais perto para serem reais, só me faltava eu passar da experiência e ser efetivada. E eu não tinha medo de não ser efetivada, porque os gestores e supervisores gostavam do meu trabalho e me achavam amigável e proativa. Tudo estava perfeito! O que poderia dar errado?

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