domingo, 7 de junho de 2015

Capítulo 1
                
     São Paulo é conhecido por seus dois títulos: Selva de Pedras pelos arranhas céus e Terra da Garoa pelas chuvas constantes. E no Inverno é comum as temperaturas serem bem baixas.
    Os dias eram de muito frio e com muitas chuvas ou garoa, os ventos balançavam e sacodiam as folhas secas das árvores. O vento gelado e cortante entrava pelas fibras finas da lã, chegando à pele úmida pelo frio. Não era uma descrição boa para ir trabalhar, mas eu tinha que ir, era meu emprego e estava muito animada para terminar a fase de experiência do trabalho. Então, almocei e me vesti para ir trabalhar.
    Vestia botas, meia-calça de lã por baixo de um jeans justo, com uma blusa de gola alta fina por baixo de uma de lã cashimira. Ainda usava luvas, toca de lã e um casaco de couro sintético modelo parka, e mesmo assim o frio parecia que estava em mim. Era tanto frio que eu chegava a bater os dentes um no outro. Parecia que nada espantava o frio da pele.
    Peguei um trem e depois o metrô. Assim, que a estação Anhangabaú chegou, saí do metrô e subi umas duas escadas rolantes para sair na rua principal. Na última escada, o vento gelado era tanto que eu sentia-o caminhar pelo meu corpo. Minha mente só estava na empresa, o desejo de chegar logo e sair do frio era o que me fazia continuar a caminhar.     As ruas estavam vazias e frias, ao longe podia ser visto o caminho longo e frio a percorrer, e após cinco minutos já estava num ambiente quente e iria continuar assim pelas seis horas corridas.
    Quando meu turno de trabalho terminou, começaria então o meu tormento na volta para casa. A temperatura local marcava 9ºgraus, mas a minha sensação térmica era de uns 2ºgraus perto de 0 grau. E para piorar, era noite, onde a temperatura não parava de cair. Eu tinha que ser forte porque minha efetivação se daria ao fim do inverno. Foi uma luta esse período de frio congelante.
     Ás vezes eu pensava que o frio não ia acabar e que eu passaria o resto da minha vida com frio. Era como se eu tivesse me tornado o Olaf do filme Frozen Uma Aventura congelante, eu poderia me mover em qualquer tempo ou lugar e sempre seria seguida por uma nevasca. 

    Lembro-me que quando eu saia do prédio, onde trabalhava, eu tinha que passar por uma catraca antes de chegar a rua e prosseguir o meu caminho de volta para casa, e sempre nesse período frio, sentia uma rajada de vento congelante. A volta para casa era torturante e quando eu me aproximava de casa, eu tinha que subir uma pequena ladeira. Sentia até o corpo levemente mais quente após subir a ladeira, assim me ajudava eu conseguir tirar a roupa para tomar um banho quente. No chuveiro era o céu, bem quentinho que chegava a deixar a pele um pouco vermelha. Ao sair do banho me vestia parecendo um esquimó, tomava um lanche noturno com chá e ia dormir com várias cobertas e ali estava o meu paraíso quentinho.

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